A temporada de Inverno IATA 2019 (W19) decorre entre os dias 27 de Outubro 2019 e 28 de Março 2020. Durante este período, a chamada temporada baixa, o aeroporto do Porto terá um aumento de lugares de aproximadamente 9% comparativamente à temporada de Inverno passada (W18). Ao longo deste artigo está uma pequena análise dos principais pontos, e uma ideia do estado geral do aeroporto durante esta altura do ano.
A Ryanair anunciou a abertura de uma nova ligação direta entre o Porto e Grenoble, a partir de 30 de Março do próximo ano. A operação prevista é de duas frequências semanais (2f e 6f). Será a 3ª ligação direta entre o Porto e a região francesa de Auvergne-Rhône-Alpes, depois de Lyon e Clermont-Ferrand.
A Lauda anunciou hoje que vai começar a voar entre o Porto e Estugarda, na Alemanha, a partir do dia 31 de Março 2020. Os voos terão duas frequências semanais (3ªf e Sábados) em equipamento Airbus 320. Será a 2ª ligação direta da companhia no Porto, depois de Viena, que arranca no próximo mês de Outubro.
A ligação a Estugarda é operada de forma direta pela easyJet desde 2015, tendo neste momento três frequências semanais (2ªf, 4ªf e 6ªf). Com a entrada da Lauda, salvo alteração de horários, haverá um total de cinco frequências diretas por semana entre o Porto e Estugarda.
Após a declaração de insolvência no inicio da semana, a Aigle Azur fechou ontem as reservas para todos os seus voos a partir do dia 10 de Setembro. No caso das rotas portuguesas, nomeadamente do Porto, a companhia confirmou o cancelamento com efeito imediato, não havendo nenhum voo disponível para reserva neste momento.
Com mais de 80 milhões de passageiros por ano, o aeroporto londrino de Heathrow é o maior aeroporto europeu e um dos 10 maiores do mundo. É também um dos mais condicionados, com as suas duas pistas a operarem perto de 100% de capacidade. Heathrow é atualmente um dos principais destinos de médio curso não servido a partir do aeroporto do Porto, tendo sido operado de forma direta pela última vez em 2015 pela British Airways.
Sumário:
Heathrow é o principal aeroporto londrino e um hub global chave;
Porto – Londres é uma das principais rotas europeias sem voos que permitam ligações em Heathrow;
A British Airways é o único operador capaz de explorar a rota com componente de trânsito para outros destinos;
Procura crescente de/para destinos de longo curso fortalece o establecimento da rota;
Elevados custos operacionais e falta de slots são os principais obstáculos.
A TAP anunciou uma forte reformulação da sua operação, abandonando a política de crescimento agressivo e de diversificação de mercados e adotando uma de maior contenção e foco nos destinos mais rentáveis. No caso do Sá Carneiro, isso significa pelo menos alterações em 6 dos 17 destinos diretos servidos a partir do Porto: Barcelona, Funchal, Lisboa, Londres, Madrid, Nova Iorque e São Paulo. A esses há que somar Lyon, rota que estava previsto iniciar em aproximadamente um mês, mas que vai ficar na gaveta.
Recorde-se que a transportadora nacional apresentou um prejuízo de 118 milhões de euros em 2018, equivalente a uma margem negativa de quase 4%. Numa altura em que as grandes companhias europeias estão a rever em baixa as suas previsões de lucro, e que os acionistas privados da TAP preparam a abertura do capital à bolsa, uma política comercial mais conservadora parece quase óbvia.
A easyJet anunciou hoje a abertura de uma ligação direta entre o Porto e Montpellier, no sul de França. Será o 19º destino da companhia laranja a partir do Porto, e contará com uma oferta de dois voos por semana (3ªf e Sábados). O arranque está marcado para o dia 14 de Dezembro, a tempo da quadra natalícia.
Montpellier é a 3ª maior cidade da costa mediterrânica francesa, com uma população de cerca de 600.000 pessoas na sua área metropolitana. O aeroporto é o 11º por nº de passageiros em França, e o maior sem voos para o Porto ou para Portugal.
Com um crescimento de 25% em 2018 e com a abertura de três novos destinos este ano, o espanhol é sem dúvida um dos mercados quentes do aeroporto do Porto neste momento.
Apesar da curta distância física e da proximidade económica e cultural, o mercado foi ignorado durante muitos anos, ficando praticamente restrito a voos para Madrid, Barcelona e aos habituais charters de Verão. Hoje a oferta é muito mais completa, havendo voos regulares entre o Porto e 12 destinos em Espanha, embora Madrid e Barcelona ainda concentrem o grosso da procura.
Esta é uma análise de duas partes. Na primeira olhamos para o mercado de uma forma global, caracterizando a oferta a partir do Porto e comparando-a com os restantes aeroportos da faixa atlântica. Na segunda parte a análise será destino a destino, para identificar de forma detalhada onde estão as oportunidades para o desenvolver.
Sumário
Mercado espanhol é atualmente o 3º maior do AFSC e um dos que mais tem crescido;
Madrid e Barcelona responsáveis por 86% da procura Porto-Espanha em 2018;
Inicio de voos diretos a Alicante, Bilbau, Málaga e Sevilha nos últimos 12 meses sinaliza foco crescente em rotas fora Madrid e Barcelona, mas frequências ainda são reduzidas;
Operação charter cada vez mais forte, mas sem sinergias com operadores regulares;
Comparação com peers regionais pouco favorável, mas demonstra margem de crescimento;
A Czech Airlines efectuou ontem o seu último voo desta temporada entre o Porto e Praga. A operação, inicialmente prevista até ao final de Outubro, foi encurtada por indisponibilidade de frota causada pelos problemas com os Boeing 737MAX.
A transportadora checa tinha recorrido este ano à Smartwings para operar a rota do Porto com aviões Boeing 737-800, de maior capacidade que os Airbus 319 da própria CSA e que cobriram a ligação em anos passados. No entanto, com a suspensão dos 737MAX em Março, a Smartwings ficou com 8 aviões indisponíveis para este Verão, cerca de 1/4 da sua frota total e mais do que a frota de médio curso da Czech Airlines. Parte dessa capacidade ainda foi recuperada com recurso a aviões de outras companhias, mas não foi possível cobrir a sua totalidade. A partir daí foram reduzidas e suspensas muitas frequências planeadas para este Verão, o que no caso do Porto significa a suspensão da ligação na totalidade.
A CSA voa de forma sazonal entre o Porto e Praga desde 2015. A operação, embora pequena, manteve sempre uma trajectória de crescimento. Para este Verão, a previsão era que o número de lugares disponível fosse quase o triplo dos oferecidos em 2015, tanto pela utilização de aviões de maior capacidade e como por aumento de frequências.
Evolução do nº de passageiros em voos diretos Porto-Praga da CSA. Os valores para 2019 representam uma estimativa caso a operação fosse a inicialmente anunciada (25.000) e da operação agora finalizada (5.000)
Por outro lado, embora os problemas de disponibilidade de frota sejam um forte motivo, a companhia poderia ter optado por cortar capacidade noutras ligações e/ou manter a do Porto com uma frequência mais reduzida, tentando acomodar com aviões próprios. Mesmo o volume de passageiros, embora crescendo, acabou por ficar sempre um aquém do expectável. Praga foi a primeira das rotas do AFSC para o Leste, no entanto, das seis que operaram em 2018, foi a 2ª menos movimentada. Budapeste, por exemplo, movimentou mais do dobro dos passageiros e Varsóvia o triplo. Praga é também a única das seis operada por uma companhia tradicional, o que pode explicar boa parte desse desempenho.
Fica assim a dúvida sobre o que a CSA vai fazer em 2020, se recupera a ligação, se a passa totalmente para a Smartwings ou se a abandona definitivamente. Outra possibilidade, atendendo aos dados do mercado e à dinâmica do aeroporto de Praga, seria a entrada de um novo operador, aproveitando o espaço livre para se estabelecer com mais facilidade.
A Wizz Air anunciou a entrada na ligação Porto – Viena a partir do próximo dia 18 de Dezembro. A frequência será de dois voos por semana (4ªf e Domingos), com equipamento Airbus 321 com 230 lugares.
A entrada da companhia húngara neste corredor é mais um episódio da corrida pelo mercado austríaco desencadeada pela falência do Grupo Air Berlin, e consequentemente da sua filial austríaca Niki. Juntamente com a Wizz Air, os principais actores desta corrida são a Lauda/Ryanair, a Level/IAG e a Austrian/Eurowings/LH. Até ao momento nenhum dos novos players se deu por vencido, embora sejam visíveis sinais de que a situação atual dificilmente será sustentável durante muito tempo e que alguma consolidação acabará por acontecer. No caso particular das ligações ao Porto, recorde-se que este Verão a Level já iniciou uma operação sazonal entre o AFSC e Viena, e que a Lauda já anunciou a entrada na rota a partir de Outubro. Uma situação de fragmentação algo anormal para uma rota destas características.
Juntamente com a recém inaugurada ligação para o aeroporto de Luton, em Londres, Viena é também mais uma consequência da mudança estratégica da Wizz, apostada em dedicar parte do seu crescimento a expansão na Europa Ocidental, abandonando a lógica de que todas as rotas tinham que iniciar/terminar na Europa de Leste. No AFSC, quase 4 de cada 5 lugares disponibilizados pela transportadora húngara este Inverno já serão para o bloco ocidental do continente europeu.