Fernando Pinto, atual CEO da TAP, confirmou ontem a tão antecipada expansão da companhia a partir do Francisco Sá Carneiro. Trata-se da recuperação de duas das rotas encerradas em 2016, Barcelona e Milão – Malpensa, bem como o lançamento de outras duas, Ponta Delgada e Londres – City. Para este efeito a transportadora nacional planeia basear mais dois aviões Airbus 319 no Porto, embora a chegada destes à TAP ainda esteja pendente de negociações finais com o fornecedor.
Este aumento vem na sequência da reestruturação da transportadora portuguesa, que com custos operacionais mais baixos, aviões mais adequados e maior escala pretende voltar a competir também no Porto. Para se ter uma ideia, a última vez que a TAP abriu uma nova rota a partir do AFSC foi em 2008, com a abertura de 1 voo semanal para Salvador e que durou apenas uma temporada.
Airbus 319 da TAP. Foto tirada por Luciano Bragança
Pela primeira vez na sua história, o Aeroporto do Porto atingiu hoje a marca dos 10 milhões de passageiros (MPA), esperando-se que o registo final deste ano se fique entre os 10.7 e os 10.8MPA. O marco foi registado com uma cerimónia que contou com a presença de dirigentes locais, do Governo e da ANA Aeroportos, entre outros.
Posicionar o Francisco Sá Carneiro no grupo de aeroportos com >10MPA era há muito um objetivo da ANA e da região, não só pelo grande volume de passageiros diários que isso implica, mas principalmente porque permite posicionar o aeroporto num patamar superior onde pode aspirar a grandes rotas, nomeadamente de longo curso.
Por outro lado, a maior procura coloca pressão na infraestrutura, o que nesta altura já obriga a trabalhos de aumento de capacidade. No lado terra, as obras no filtro de segurança, principal bottleneck do aeroporto, já estão em curso e deverão estar concluídas no próximo ano, permitindo aumentar muito significativamente a capacidade do aeroporto. Também o sistema de processamento de bagagens será melhorado, por forma a retomar os níveis de serviço que a ANA está obrigada a cumprir. No lado ar, as obras de prolongamento do taxiway fox deverão começar em 2018, com o concurso a ser lançado nos próximos meses.
A ANA confia que com as medidas acima mencionadas não haverão problemas de capacidade e voltou a afirmar-se otimista em relação ao futuro. A previsão oficial para 2018, calculada em Agosto e utilizada para avaliar a atualização das taxas aeroportuárias, é de 11.4MPA, sendo o objectivo a médio prazo os 16MPA. Para atingir estas metas e continuar a crescer, o presidente da ANA anunciou hoje que o plano de incentivos às companhias aéreas está a ser revisto com o objectivo de ser mais atractivo. Relembre-se que o plano já tinha sido revisto em 2014, tornando-se mais agressivo nos descontos e premiando rotas com segmentos de >3h e >6h. Não foram divulgados detalhes desta nova revisão, ainda assim, convém recordar que no atual modelo de regulação de taxas o gestor aeroportuário só está autorizado a aumentar a receita por passageiro da infraestructura se houver crescimento de tráfego. E com as receitas reguladas anuais do Sá Carneiro a rondar os 100.000.000€, bem acima do registado em 2014, não é difícil ver como o efeito duplo de aumento de tráfego e de taxas permite ao gestor uma margem reforçada para apostar no departamento comercial.
Planeamento cuidado, liderança regional, agressividade comercial, qualidade de serviço e flexibilidade operacional foram a fórmula de sucesso dos últimos anos. Costuma-se dizer que em equipa que ganha não se mexe, e parece ser essa também a abordagem ANA. A aviação é um negócio instável e muito sensível a pequenas mudanças na procura, sendo sempre recomendável alguma precaução nas previsões, no entanto o panorama atual é positivo e inspira confiança no futuro do principal aeroporto do Noroeste peninsular.
A Wizzair anunciou o inicio de uma operação regular entre o Porto e Katowice, na Polónia, com 2 frequências semanais (2ªf e 6ªf). Os voos arrancam no dia 18 de Junho e aumentam para 4 o número de rotas diretas da companhia no Francisco Sá Carneiro, sendo que 3 dessas são para a Polónia.
O aeroporto de Katowice situa-se numa das regiões mais densamente povoadas da Polónia e acolhe uma das maiores bases da Wizzair no continente. Por outro lado, a sua área de influência encontra-se dentro do triângulo Varsóvia-Wroclaw-Cracóvia, as 3 cidades polacas com operações regulares para o Porto. No caso de Cracóvia a distância é inferior a 100km, embora Katowice seja a base Wizzair naquela zona enquanto Cracóvia o é para a Ryanair.
Com a incorporação desta nova rota, a Wizzair mantém a estratégia de cobertura territorial com poucas frequências em detrimento de mais voos nas rotas existentes. Continua-se a verificar também como os destinos escolhidos replicam as escolhas feitas pela companhia em Lisboa cerca de 1 ano antes, mas sem sobrepor dias de operação (por exemplo, programa Porto-Varsóvia às 2ªf e 5ªf, e Lisboa-Varsóvia às 3ªf e Sábados). Seguindo essa lógica, o seguinte passo seria abrir Gdansk também no Porto, o que lhe permitiria quase fechar a cobertura territorial básica da Polónia ao mesmo tempo que serviria o maior aeroporto daquele país sem voos para o Francisco Sá Carneiro.
Anuncio da rota Porto-Katowice juntamente com outras 10. Foto: Wizzair
A transportadora grega Aegean anunciou que o Porto será um dos seus novos destinos à partida de Atenas para o Verão de 2018. A operação será sazonal, entre os meses de Junho e Outubro, com 2 frequências semanais operadas com aviões Airbus 320 de 178 lugares.
A história da Aegean em Portugal é relativamente curta, tendo-se iniciado há apenas 2 anos, com a introdução de voos diretos entre Atenas e Lisboa em moldes quase iguais aos que teremos no Porto este ano. A partir daí, e com o apoio da TAP, a companhia foi crescendo rapidamente ao ponto dessa rota ser agora operada todo o ano e com picos de até 6 voos semanais. Aliás, boa parte do estimulo recente na procura entre o Porto e a Grécia pode-se atribuir a essa operação, que graças à eficiência operacional da Aegean e às poupanças de tempo de voo relativamente a escalas no centro da Europa, permitiu introduzir no mercado tarifas muito mais atrativas a que a procura respondeu positivamente.
A partir do hub de Atenas, a companhia grega consegue ligar estes voos à sua extensa rede doméstica, para onde as alternativas são geralmente escassas e a preços pouco convidativos. Com apenas duas frequências semanais dificilmente se poderá pensar em outro tipo de ligações embora essas também sejam possíveis. Os horários facilitam, com os voos a saírem de Atenas ao final do dia e a chegarem à capital grega à primeira hora da manhã.
A Aegean é a 3ª companhia a anunciar inicio de operações no aeroporto do Porto em 2018, depois da Air Canada e da United, também elas parte da Star Alliance. Desta forma sobe para 8 o número de transportadoras membro desta aliança a operar no Porto, que com a atual programação contarão com uma oferta combinada próxima dos 4 milhões de lugares no AFSC em 2018.
Airbus 320 da Aegean com o esquema especial da Star Alliance. Foto tirada por Georgios Papagiannakis
Em conferência de imprensa organizada ontem no Porto, a Iberia anunciou o regresso com equipamento próprio à rota Porto-Madrid a partir de 25 de Março 2018. A programação indica voos em Airbus 319 com 141 lugares, mais 41 que os Bombardier CRK que a Air Nostrum utiliza atualmente. A maior dimensão dos aviões, aliada à maior eficiência operacional da Iberia permitirão mais espaço para a companhia ser mais agressiva comercialmente, nomeadamente no ponto-a-ponto e nas ligações europeias, estimulando a procura. Por outro lado, a frequência é reduzida de 29 voos semanais para 25. Sendo conservadores e ignorando possíveis trocas de equipamento pontuais, o crescimento no nº de lugares rondará os 22%.
Dentro da rede peninsular da companhia espanhola, a concessão da rota do Porto à Air Nostrum sempre foi uma excepção tendo em conta o elevado volume do mercado. A outra excepcionalidade da operação é a do AFSC ser o maior aeroporto peninsular e o maior mercado sem um night-stop da Iberia. Para se ter uma ideia, o 2º maior mercado sem este serviço seria Faro, que num ano inteiro tem tantos passageiros de/para Madrid como o Porto em 2 semanas, e o 3º seria Badajoz, que gera menos passageiros de/para Madrid num ano que o Porto numa semana. A introdução do serviço night-stop seria, portanto, o seguinte passo lógico.
À maior capacidade de transporte de passageiros, a introdução dos Airbus permite à Iberia transportar carga no porão, algo impossível nos Bombardier da Air Nostrum. Uma lacuna que tem sido preenchida com recurso a aviões cargueiros e aos chamados camiões-avião. No caso dos cargueiros, trata-se de um serviço que opera 4x por semana, com aviões Boeing 757F da DHL que fazem o percurso Londres Heathrow-Madrid-Porto-Londres Heathrow. Já no caso dos camiões, há 3 linhas existentes, uma com origem em Madrid e que alimenta diretamente a rede, e outras duas com origem em Vigo e Lisboa, que alimentam os voos da Iberia (e também da British Airways, no caso de Lisboa) existentes nesses aeroportos. Nada foi anunciado relativamente aos serviços de carga, mas é expectável o fim destes serviços terrestres em detrimento do avião.
Com este aumento, e considerando a programação atual da concorrência, a ligação Porto-Madrid deve ficar entre 650.000 e os 700.000 passageiros em 2018, o que seria suficiente para finalmente consolidar a rota como uma das principais da península e para tomar a liderança destacada das rotas entre o noroeste peninsular e a capital espanhola, tal como aconteceu recentemente com Barcelona e como pode acontecer brevemente com Valência. Casos importantes para demonstrar às companhias aéreas que rotas como Sevilha, Málaga, Alicante ou Bilbau a partir do Noroeste não devem estar mais centralizadas na Galiza, mas devem estar presentes a partir do Porto e provavelmente com uma operação reforçada.
Airbus 319 da Iberia. Foto tirada por Carlö Dedöni
A Ryanair anunciou ontem que o Porto será o próximo da rede a oferecer voos em conexão. O serviço, ainda numa fase de teste, está apenas implementado nos aeroportos de Bergamo em Milão e de Fiumicino em Roma. A inclusão do Porto neste grupo não é por acaso: é a 3ª maior base ibérica da companhia, conta com uma rede doméstica forte e com uma média de frequências por rota superior à da rede Ryanair.
Contrariamente às companhias tradicionais, a Ryanair aplica um modelo de conexões simplificado de soma de segmentos, ou seja, o preço do voo em conexão é simplesmente o da soma do preço dos voos do itenerário. Aliado ao modelo tarifário “passivo” da companhia irlandesa, que optimiza os preços de forma a que os aviões tenham sempre >90% de ocupação média, o efeito esperado a curto prazo é o de um aumento de receitas/rentabilidade nas rotas com ligações. Crescimentos visiveis no número de passageiros são possíveis, mas a médio prazo: maior rentabilidade permite aumentar frequências, aumentando assim o efeito hub que por sua vez aumenta o leque de novas rotas potenciais e assim sucessivamente.
As regras de conexão não foram especificadas pela companhia, no entanto, é expectável que sigam o já existente em Itália: tempo mínimo de espera no aeroporto de 2h30 e máximo de 6h, excluindo-se conexões que envolvam pernoitar no aeroporto de escala e combinações que repliquem rotas diretas operadas pela Ryanair. Aplicando estas regras a uma semana típica da próxima temporada de Verão, com base na atual programação, o potencial máximo é superior a 200 combinações semanais. Na tabela abaixo recolhem-se essas possíveis combinações com origem/destino Faro, Lisboa, Ponta Delgada e Terceira, via Porto:
Não é hábito desta página escrever sobre voos charter, mas neste caso abre-se uma excepção pela importância e magnitude desta operação. O voo em questão é o NH 1976, direto entre o Porto e o aeroporto de Narita, em Tóquio, operado pela companhia japonesa All Nippon Airways (ou ANA). O voo, com duração estimada de 13h15min, será efetuado com um avião Boeing 777-300ER com capacidade para 264 passageiros: 8 em primeira classe, 52 em executiva, 24 em económica premium e 180 em económica. Sairá com mais de 90% dos lugares ocupados, estando este grupo em viagem por Portugal desde Sábado passado (a chegada fez-se por Lisboa)
Esta é uma 4 operações charter entre o Japão e Portugal que se se estrearam este ano, embora seja a única que toca o Porto e não apenas Lisboa. Estas operações são um teste à atractividade do mercado para a introdução de operações charter mais alargadas, começando já no Verão de 2018. Já vários países europeus, como o Reino Unido, França, Itália ou Espanha, recebem charters regulares deste tipo, não só do Japão, mas também de outros países asiáticos como a Coreia do Sul ou a China.
Desnecessário será descrever a importância para o aeroporto e para o turismo nacional conseguir materializar esta oportunidade, numa altura em que ainda estão frescas as chegadas da United e da Air Canada. Resta agora esperar pelo próximo ano para saber se o objetivo foi conseguido ou não.
A Air Canada anunciou hoje a incorporação do Porto na sua rede de destinos diretos a partir de Toronto, utilizando a sua marca comercial Rouge. A ligação está prevista como sazonal, entre Junho e Outubro de 2017, com 3 frequências semanais (2ªf, 5ªf, Sab. a partir do Porto, 2ªf, 6ªf e Dom. a partir de Toronto) operadas em equipamento Boeing 767-300ER configurado com 282 lugares, dos quais 24 em classe premium e 258 em económica.
Toronto é já uma das rotas históricas do aeroporto, no entanto, foi quase sempre operada com poucas frequências e principalmente com poucas possibilidades de ligação após Toronto. A Air Transat, atual lider neste mercado, começou a explorar esse potencial há pouco tempo, ainda assim, com uma presença incomparável à que terá a Air Canada. A Azores Airlines, que também explora a ligação de forma direta, tem um acordo com a WestJet para esse efeito, mas com apenas 1 voo por semana resulta pouco atrativo. No total, em 2018, e caso não hajam mais alterações à programação, Porto-Toronto terá até 7 frequências semanais, Porto-Canadá até 9 voos diretos por semana e Porto-América do Norte até uns respeitáveis 18 voos semanais (quase 3 diários).
Tal como a United, a Air Canada faz parte da JV transatlântica A++, pelo que estes voos refletem um esforço comum de reforço da operação no Porto, que para além dos voos diretos destas duas companhias engloba ainda a extensa operação do Grupo Lufthansa no AFSC.
A maior companhia canadiana opera em Portugal exclusivamente com a marca Rouge, tendo iniciado o seu percurso em 2014 com voos entre Toronto e Lisboa com 3 frequências semanais. No ano passado essa operação atingiu este ano o voo diário, e para 2018 crescerá com a chegada ao Porto e o aumento da operação em Lisboa para incluir Montreal, o que dá algumas pistas de qual será a estratégia a adoptar para o Francisco Sá Carneiro no futuro.
Boeing 767-300ER da Air Canada Rouge. Foto tirada por Adelino Oliveira
Porto e Nova Iorque, finalmente unidas com voo diário a partir do próximo ano. A United Airlines, uma das grandes companhias aéreas dos Estados Unidos e das maiores do mundo, anunciou hoje que o Porto passará a integrar a sua rede de destinos diretos a partir do hub de Newark. Os voos serão operados entre Maio e inícios de Outubro do próximo ano com equipamento Boeing 757-200 de 169 lugares, dos quais 16 em Executiva e 153 em Económica.
Voos diretos entre o Porto e Nova Iorque não são novidade, uma vez que a TAP já oferece há vários anos esta ligação. No entanto, essa oferta tem-se provado insuficiente para o que o mercado exige, principalmente no Verão, e é essa lacuna que a United procurará colmatar. Com uma oferta combinada de 9 voos semanais (7 da United + 2 da TAP), Newark passará a ser um hub realmente competitivo a partir do Porto, principalmente para os EUA e Canadá, mas também para o México, Caraíbas e parte da América do Sul.
Como parte da JV transatlântica A++ com o Grupo Lufthansa e a Air Canada, os novos voos da United serão facilmente compatíveis a nível tarifário com a oferta já existente via Frankfurt, Munique, Bruxelas e Viena, tornando ainda mais atractiva a oferta global para os passageiros. Como membro da Star Alliance, e à semelhança do que já acontece em Lisboa, é também de esperar que esta nova oferta da United se possa combinar com os voos diretos da TAP e que possa ainda ser alimentada pela rede da transportadora portuguesa a partir do Porto.
Juntamente com a superação da barreira dos 10 milhões de passageiros anuais, que deverá acontecer em Dezembro deste ano, esta ligação é dos sinais mais fortes de que o aeroporto do Porto está mesmo a entrar numa nova etapa. Já não se trata de discutir a liderança ou não no contexto regional, onde o AFSC já controla 2/3 do mercado, mas sim de se afirmar como um player ibérico e europeu a ter em conta e que possa discutir este tipo de ligações assim a procura o justifique.
A Ryanair anunciou que a partir do próximo dia 26 de Março 2018 começará a operar de forma regular uma ligação direta entre o Porto e Malta. A programação consiste em 2 voos semanais (2ªf e 6ªf) com uma duração de voo próxima das 3h por sentido.
Malta é um pequeno país formado por 3 ilhas, localizado em pleno Mediterrâneo, imediatamente a sul de Itália. Pouco conhecido do mercado Português, Malta é um destino que se tem destacado como destino de Sol e praia, bem como cultural. A aproximação ao mercado português tem sido um objectivo das entidades maltesas nos últimos anos, em parte devido aos bons resultados que têm conseguido em Espanha mas também pelo apetite português por Sol e praia no exterior, como comprovam os resultados das várias ligações regulares e charter a países como Espanha, Marrocos, Cabo Verde ou Tunísia. No caso do Porto, este mercado equivale a quase 200.000 passageiros só em voos diretos com crescimentos a dois dígitos nos últimos anos. A estes, haveria que somar os que utilizam voos em escala, os que viajam diretamente por Lisboa e os passageiros galegos. Neste contexto, uma oferta de aproximadamente 20.000 lugares parece bem enquadrada, mais ainda se considerarmos que será o único voo regular entre Portugal e Malta.