Chuva de novos voos Ryanair para o Inverno

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Em conferência de imprensa na cidade do Porto, a companhia irlandesa levantou o véu sobre uma programação de Inverno cheia de novidades para o aeroporto Francisco Sá Carneiro. As mais visíveis são a nova ligação a Varsóvia Modlin, bem como a ofensiva a 3 das 4 rotas abandonadas pela TAP: Barcelona, Bruxelas e Milão. Destaque ainda para as ligações a Dublin, Liverpool e Valência, que deixam de ser sazonais.

Relativamente à rota de Varsóvia, começa no dia 2 de Novembro e terá 2 frequências semanais (4ªf e Sábados). O anuncio chega menos de uma semana depois do efectuado pela Wizz Air, numa reacção quase igual à que teve quando a Wizz Air apresentou Lisboa-Varsóvia. A diferença é que desta vez a companhia húngara preveniu-se, guardou a sua mão até a Ryanair ter a programação de Verão fechada e assim evitou um inicio simultâneo de operações. Fica agora a questão de quando, e se, ambas se encontrarão no corredor Porto-Varsóvia. Nenhuma tem por hábito recuar.

Os reforços nas rotas de Barcelona, Bruxelas e Milão Bergamo estão garantidos a partir do final de Outubro, apesar da companhia ter dito que está a procurar formas de introduzir essa capacidade mais cedo. Bruxelas e Milão recebem +4 frequências semanais, que no caso da capital belga serão distribuídos em partes iguais pelos aeroportos de Zaventeme Charleroi. Já Barcelona ganha +1 frequência diária. Estes novos voos, por si só, permitem cobrir 149% da oferta abandonada pela TAP para Barcelona, outros 57% para Bruxelas Zaventem (111% contando Charleroi) e 146% para Milão.

Não recebendo a mesma atenção que as anteriores, o prolongamento do período de operação de 3 rotas clássicas, Dublin, Liverpool e Valência, é igualmente importante. Com Dublin volta a estar aberta no Inverno a única ligação directa entre o Porto e a Irlanda, 9 anos depois da Ryanair a ter restringido ao Verão. Liverpool, que passou a sazonal em 2007, ajudará a capitalizar o grande crescimento que o mercado inglês está a verificar e que não dá sinais de abrandamento. Finalmente, a operação de Inverno para Valência, suspensa em 2013, é uma mostra da recuperação do mercado Espanhol e permitirá fortalecer os laços com a 3ª maior cidade espanhola.

Com estas novidades a low-cost irlandesa avançou uma previsão de 3.4 milhões de passageiros transportados nos seus aviões de/para o Porto em 2016. Assim, continua sobre carris o compromisso pessoal de Michael O’Leary de fazer crescer a operação da Ryanair no AFSC até atingir os 5 milhões de passageiros anuais em 2018. Um compromisso crescente pelo Porto que mostra, novamente, que o interesse estratégico de uma companhia aérea não é algo que possa ser forçado ou comprado. As companhias podem vender migalhas a preço de ouro, mas na hora da verdade, o interesse estratégico prevalece sempre.

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Boeing 737-800 da Ryanair. Foto tirada por Ron Kellenaers
Porto – Varsóvia Modlin
De A Frequência Partida Chegada Nº voo Equipamento
02 Nov. – – – – – – 3 – – 6 – 18:10 22:55 FR 4534 Boeing 738
Varsóvia Modlin – Porto
De A Frequência Partida Chegada Nº voo Equipamento
02 Nov. – – – – – – 3 – – 6 – 15:00 17:45 FR 4533 Boeing 738

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Ryanair reduz risco e aposta em mercados mais sólidos

A Ryanair prepara-se para reduzir a sua capacidade nas rotas espanholas e italianas que opera no Francisco Sá Carneiro durante a próxima temporada de inverno (W12).

O mercado mais afectado será o espanhol, com menos 4.000 lugares semanais (-28%). Das 4 rotas para Espanha que a Ryanair operou na temporada de inverno 2011 (W11), 3 vão sofrer cortes de frequencias e 1 não será operada. Quase metade desta fatia corresponde à ligação com a capital espanhola, Madrid, que perde 5 frequencias semanais, seguindo-se Barcelona com menos 3 e Valência com menos 1. A rota de Tenerife (Sul), à semelhança do que aconteceu no ano passado com a de Las Palmas, não será operada durante a próxima temporada.

A low-cost irlandesa responsabiliza as subidas das taxas nos aeroportos da rede AENA, principalmente em Madrid e Barcelona, e o desacordo com o Governo Canário, no caso da ligação com Tenerife, pelos cortes nas rotas com o país vizinho. No entanto, e embora estes argumentos também tenham contribuido, a degradação das condições macroeconómicas, o desempenho destas ligações no passado e a previsível quebra de receitas foram fundamentais na hora de decidir os cortes. Estas condições também se verificam no mercado italiano e estão na base dos cortes no mesmo.

Dois Boeing da Ryanair em Charleroi. Foto tirada por Radu Dobrescu

No caso do Porto, é notória a intenção de transferir a capacidade atribuída aos mercados espanhol e italiano para outros mais sólidos como o francês e o alemão, que por contarem com uma maior proporção de tráfego emissor e de negócios, ambos em crescimento, resistem muito bem aos efeitos da crise. Por isso mesmo, a Ryanair prevê continuar a operar a recém-inaugurada ligação com Dole, voltar a operar Bremen no inverno e reforçar rotas como Tours e Bruxelas (Charleroi).