A Ethiopian Airlines vai começar a voar entre o Porto e Addis Ababa, capital da Etiópia, a partir do dia 2 de Julho 2025. Os voos estão programados com equipamento Boeing B787-800 e B787-900, com quatro frequências por semana (saídas do Porto às 2ªf, 3ªf, 5ªf e Sábados e de Addis Ababa às 2ªf, 4ªf, 6ªf e Domingos) via Madrid. O tempo total de escala é de 1h10 em cada sentido, não sendo possível a venda de bilhetes entre o Porto e Madrid neste momento.
A Ethiopian Airlines é a maior companhia aérea de África, tendo o seu principal hub em Addis Ababa. A transportadora opera numa lógica semelhante à das companhias do Golfo, mas com uma cobertura muito mais alargada de África e relativamente leve da Ásia. Para maximizar a conectividade, os voos de/para a Europa são efetuados durante a noite em ambos os sentidos. Como tal os aviões ficam parados no chão durante a maior parte do dia, o que permite que sejam aproveitados para fazer segmentos intra-europeus, alargando a rede de destinos com um custo marginal baixo. Dos atuais 20 destinos europeus da Ethiopian, 11 são servidos conjuntamente com outro destino neste modelo. Na maioria desses casos, a Ethiopian também vende o segmento intermédio, oferecendo atualmente 5 rotas intra-europeias. O acordo de tráfego aéreo entre Portugal e a Etiópia permite uma operação deste tipo, mas o atual acordo entre Espanha e a Etiópia não.
Através do hub de Addis Ababa a Ethiopian conseguirá servir alguns dos principais fluxos de passageiros e carga entre o Porto e o sul de África, nomeadamente para Angola (Luanda), Moçambique (Maputo e Beira) e África do Sul (Joanesburgo e Cidade do Cabo). A própria Etiópia, é um dos países africanos que mais se tem desenvolvido nos últimos anos, com a capital Addis Ababa em destaque.
| De | A | Frequência | Partida | Chegada | Nº voo | Avião |
| 03 Jun | – | 1 2 – 4 – 6 – | 19:55 | 07:25 (+1) | ET741 | Boeing B787 |
| De | A | Frequência | Partida | Chegada | Nº voo | Avião |
| 02 Jun | – | 1 – 3 – 5 – 7 | 23:10 | 07:15 (+1) | ET740 | Boeing B787 |
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Curiosidade: é possível saber a ocupação dos voos da Ethiopian para o Porto?
É um movimento interessante da Ethiopian.
provavelmente mais na tentativa de introduzir a marca a partir do Porto e a médio prazo trocar este voo por um code share como fizeram há uns tempos em Barcelona.
Há uns anos fiz um voo de ADD para Barcelona via Roma, sendo que actualmente creio que a Ethiopian já nem voa para Barcelona, utilizando apenas cs desde os outros destinos europeus.
De qualquer forma, e tendo em conta a rede deles em África creio que será uma clara mais valia para o AFSC.
A estratégia é geralmente ao contrário, primeiro chega-se indiretamente através de parceiros, e se correr suficientemente bem introduzem-se voos próprios. Mas indiretos é o que existe hoje, a Ethiopian vende Porto-Bruxelas/Genebra/Frankfurt-Addis Ababa. O objectivo da operação própria é a ajudar a rota de Madrid, à falta de alternativas melhores, e desenvolver o mercado português, à falta de slots em Lisboa.
Pelo que vejo a Ethiopian operou Barcelona durante mês e meio, entre Julho e Agosto 2018, com uma média de 40 passageiros por voos. Foi mau suficiente para a rota acabar cancelada quase imediatamente. Esperemos que corra melhor no Porto.
Claro que aqui é tentar adicionar alguns passageiros na rota principal, com uma extensão da mesma ao Porto, tentando aumentar os LF da rota.
Olhando para os voos europeus da EA parece-me pouca provavel que o Porto seja um destino a considerar para ligação directa.
De qualquer forma, creio que em geral na EA os LF são bastante reduzidos, sendo que deverão ter custos de hub bastante baixos, o que lhes permite uma oferta mais vasta e rentabilidade ainda que com estes Lf bastante mais baixos do que o padrao da industria exige.
Creio que a minha memoria não me atraiçoa quando digo que fiz ADD, Roma Barcelona… isto já ha uns valentes 15 anos. Um voo que me ficou marcado porque aterreie em Roma deitado…
Pelo que eu vi, o normal nas rotas europeias mais establecidas é entre cada destino ter uns 100 passageiros de média de/para Addis, o que coincide com os 70-75% de ocupação média que eles geralmente tem. África geralmente tem bons yields, tanto de passageiros como de carga, e eles são dos operadores com base de custos mais baixa e rede mais densa.
Sobre o Porto, obviamente nem de perto temos procura para justficar o voo direto, e mesmo neste formato não vai ser fácil. No fundo tivemos alguma sorte de Espanha não lhes dar 5ª liberdade e de eles quererem manter o voo em Madrid mesmo assim. Simultaneamente Portugal é um mercado que lhes interessa, mas não há slots em Lisboa às horas que eles precisam.
A Ethiopian teve cerca de 30% de ocupação em Madrid no ano passado, ou seja, 2h30 – 3h com o avião práticamente vazio em cada rotação. Não é um negócio brilhante. Imagino que no Porto também andaremos pelos 20-30% de ocupação, mas com um segmento “vazio” que fica reduzido a metade. Esperemos que seja suficiente para estabilizar a rota, até para establecer um exemplo, mas não vai ser fácil.
Relativamente à presença deles em Barcelona, só consegui encontrar números para essa operação de 2018, mas antigas não encontrei nada mas não dúvido. Mas o ponto é que eles não tiveram bons resultados lá, daí os voos terem sido retirados.
O que significa Espanha não dar a 5 liberdade? Significa que não podem vender voos internos, tipo Barcelona – Madrid?
5ª liberdade é permitir vender voos internacionais para um 3º estado como parte de um itinerário entre dois outros estados, o que neste caso seria vender Porto-Madrid.
Vender voos domésticos como parte de um itinerário internacional seria 8ª liberdade, mas não conheço nenhum caso em que isso seja permitido.
Significa que a Ethiopian não podia voar diretamente de Madrid para Addis?
Tanto pode que vai, mas dificilmente Madrid tem procura suficiente para aguentar o voo sozinha. Na Europa, com widebody, a Ethiopian apenas faz Londres, Paris, Frankfurt, Bruxelas e Roma sem escalas adicionais.
Pode. O que não pode é vender bilhetes Porto-madrid ou Madrid-Porto.
Em relação a este tema tenho duas questões: Será expectável que no presente ano civil possamos ver a ligação Porto-Madrid comercializada com a ET? Que tipos de codeshare podemos ver nesta ligação?
Acho pouco provável que Espanha aceda a rever o bilateral para permitir 5ª liberdade. Por um lado isso dificulta muito a continuidade da rota, mas por outro, sem essa limitação (e sem falta de slots em Lisboa) dificilmente os voos viriam para o Porto. Vamos ver como reage a procura, mas seria importante ter um bom exemplo nestas circunstâncias.
Por agora eles não tem nenhum code-share nos voos para Madrid, mas tem acordo de interline com a TAP através de vários destinos europeus. Além Porto, sem conseguir vender Madrid, não há nenhuma opção particularmente competitiva que possa interessar com estes horários, e além Addis realmente só dá Ethiopian.