Análise: Inverno IATA 2019 (W19)

A temporada de Inverno IATA 2019 (W19) decorre entre os dias 27 de Outubro 2019 e 28 de Março 2020. Durante este período, a chamada temporada baixa, o aeroporto do Porto terá um aumento de lugares de aproximadamente 9% comparativamente à temporada de Inverno passada (W18). Ao longo deste artigo está uma pequena análise dos principais pontos, e uma ideia do estado geral do aeroporto durante esta altura do ano.

Tempo estimado de leitura: 07 min.

Análise por companhias

No detalhe por companhias, destaque para a passagem das operações da Azul, Emirates e Volotea do Verão à temporada baixa, para a entrada da Lauda, com voos diretos para Viena, e para a saída da Aigle Azur, que fechou portas no passado mês de Setembro.

As companhias do grupo IAG são as que tem previsto um maior aumento no nº de lugares, em grande parte graças a forte expansão da operação da Vueling para Espanha. TAP e a easyJet tem o 2º e 3º maiores aumentos previstos, seguindo-se os novos operadores de longo curso.

Em sentido contrário, a saida da Aigle Azur é o único ponto negativo de realce. A TAAG e a Luxair também reduzem a sua operação, à custa de menos voos durante o Natal e o Ano Novo, embora a uma escala reduzida.

Variação do nº de lugares no AFSC entre W19 e W18, por grupos de companhias. Dados: aerOPOrto

A concentração da oferta nos 6 principais players sofre uma ligeira redução comparativamente ao Inverno 2018 (W18), mas continua acima dos 90%. No ranking de capacidade total, destaque para a ascensão do Grupo IAG à 4ª posição, passando o Grupo Air France – KLM, que baixa à 5ª posição. Ryanair holdings, TAP, easyJet mantém as 3 primeiras posições, enquanto as companhias do Grupo Lufthansa fecham o top 6.

Variação do nº de lugares no AFSC entre W19 e W18, por grupos de companhias. Dados: aerOPOrto

Já a distribuição LCC-FSC continua a trajectória de equilíbrio, com as companhias low-cost (LCC) a representarem 57% dos lugares disponíveis, contra 43% das companhias tradicionais (FSC). A tendência continua a vir da mão de aumentos de oferta mais elevados por parte das tradicionais, embora as de baixo custo também estejam a crescer.

Distribuição de lugares entre LCCs e FSCs. Dados: aerOPOrto

O número de companhias sobe para 25, graças a chegada da Azul, Emirates, Lauda e Volotea, e apesar da saída da Aigle Azur, conforme referido anteriormente.

Número de companhias a operar no AFSC nas últimas três temporadas de Inverno. Dados: aerOPOrto

Análise por mercados e rotas

No quadro das principais rotas existem algumas mudanças. Destaque para a subida de Madrid para segunda rota com maior número de lugares, passando Lisboa, que baixa para a terceira posição, e para a entrada de Bruxelas no top 10, substituindo Luxemburgo. A rota de Milão também baixa da sétima para a nona posição.

Outro ponto importante a realçar é o facto de 4 das 10 principais ligações do AFSC registarem este Inverno uma redução de oferta relativamente ao período homologo. Encabeça essa movimentação a ligação a Lisboa, por fruto da saída da Ryanair e de reajustes na Ponte Aérea. Segue-se Barcelona, devido à saída da TAP da rota, e Paris, pela falência da Aigle Azur. Milão também está em terreno negativo, embora o valor de lugares reduzidos seja muito pequeno.

Principais city pairs no AFSC nas temporadas de W19 e W18. Dados: aerOPOrto

Os cinco principais mercados mantém-se França, Portugal, Espanha, Suíça e Alemanha. Em linhas gerais praticamente todos os mercados registam ou crescimento ou manutenção de oferta, exceptuando o português, angolano, italiano e polaco, que ficam em terreno negativo.

Variação da oferta, por mercado, a partir do AFSC (W19 – W18). A vermelho variações negativas, e a verde variações positivas. Dados: aerOPOrto

Análise por regiões

As movimentações nos mercados individuais refletem-se também na composição do tráfego do aeroporto por regiões. No caso do mercado doméstico, há uma quebra de representatividade de quatro pontos percentuais, de 20% para 16%, que se distribuem em partes iguais pelo médio e pelo longo curso. No primeiro passa de 78% para 80% do total, enquanto o segundo passa de 2% a 4%.

Distribuição do tráfego no AFSC durante a temporada de Inverno W19, por região. Dados: aerOPOrto

Conclusão

De uma forma global, a presente temporada de Inverno apresenta-se muito positiva no aeroporto do Porto. Em alguns pontos já se comece a notar a entrada numa fase de consolidação, em linha com a tendência geral da industria na Europa, mas nada de preocupante. A perda da Aigle Azur, sem a qual o crescimento da oferta seria de dois digitos, ou a contração de 50% do mercado polaco, são reflexo disso mesmo.

Por outro lado, o desbotar do segmento de longo curso começa finalmente a fazer-se notar nos números do aeroporto, sendo expectável que a representatividade deste segmento continue a crescer. O crescimento de frequências em rotas existentes também dá um contributo importante, notando-se cada vez menos o efeito temporada baixa nas principais ligações. Este Inverno, rotas com pelo menos um voo diário representam quase 80% do nº de lugares do aeroporto, valor superado se considerarmos também ligações com >7 frequências, mas em que não existem voos todos os dias da semana.

Para finalizar, uma previsão dos volumes mensais de tráfego para os próximos meses mostram valores a bater o milhão de passageiros em quase todos os meses, marca que deverá ser inclusivamente superada no mês de Março. Há apenas 2 – 3 anos, valores desta ordem seriam considerados excelentes durante a temporada alta do Francisco Sá Carneiro, em mais um sinal da boa saúde do aeroporto de referência do noroeste da Península Ibérica.

Um comentário em “Análise: Inverno IATA 2019 (W19)”

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.