Aigle Azur declara-se insolvente e termina voos para Portugal com efeito imediato

Após a declaração de insolvência no inicio da semana, a Aigle Azur fechou ontem as reservas para todos os seus voos a partir do dia 10 de Setembro. No caso das rotas portuguesas, nomeadamente do Porto, a companhia confirmou o cancelamento com efeito imediato, não havendo nenhum voo disponível para reserva neste momento.

O anúncio oficial não faz menção a nenhum tipo de protecção ou reembolso para os passageiros com reservas marcadas. No entanto, a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) confirmou aos seus associados que a Aigle Azur não prevê protecção destes passageiros afectados, recomendando pedidos de reembolso e compensação o antes possível. (Atualização 6 Setembro: a Aigle Azur criou uma página online para pedidos de reembolso e compensação pelas viagens canceladas: https://www.aigleazur.online/)

O core business da Aigle Azur são os seus voos enforcados à emigração, principalmente para Argélia, que representa mais de metade do negócio. Desde 2005, a companhia foi tendo uma operação significativa para Portugal. O Porto foi o primeiro destino, tendo a Aigle Azur transportado mais de 1.5 milhões de passageiros nos seus voos entre o AFSC e o aeroporto de Orly, em Paris, durante este período. Chegou a voar também entre o Porto e Lyon no Verão de 2016, mas com pouco sucesso. A transportadora francesa tinha programados cerca de 40 voos no que resta do mês de Setembro entre o Porto e Paris, e outros 200 até ao final do ano, com uma oferta total de 50.000 lugares. O número reservas já existentes que serão afectadas será assim significativo.

Mercados da Aigle Azur a partir de França. Dados GDS, a partir da programação prevista para a semana de 2 a 8 de Setembro 2019.

Os rumores acerca das dificuldades a Aigle Azur estava a passar começaram há cerca de um mês, com uma reportagem do jornal francês Le Figaro. A partir daí, a especulação foi crescente. Mais recentemente foi noticiado que a operação para Portugal teria sido vendida à IAG, passando os slots e os voos em Orly para as mãos da Vueling. Os valores da operação estariam na casa dos 20 a 30M€, mas nada foi finalizado.

Pelo meio houve um desentendimento público entre os accionistas da empresa: de um lado Gerard Houa, que com uma quota 19% das acções tentou tomar o controlo da empresa, do outro o Grupo HNA com 49% e David Neeleman com 32%, que apoiavam a estrutura de liderança existente com Franck Yvelin à cabeça. A guerra foi noticiada na praça publica, e alimentou o sentimento de desconfiança.

Finalmente, esta semana, foi apresentada a declaração de insolvência, a demissão do próprio CEO Franck Yvelin e o cancelamento dos voos no próximos dias. A Aigle Azur fica assim numa situação muito precária e sob administração judicial. A imprensa francesa reporta que a venda de ativos está novamente na mesa, com a Air France a somar-se ao grupo IAG no interesse pela sua aquisição, sendo de esperar mais desenvolvimentos nos próximos dias.

Foto de capa: Rui Marques

10 comentários em “Aigle Azur declara-se insolvente e termina voos para Portugal com efeito imediato”

    1. A maior que podia falir das que estão no Porto era mesmo a Aigle Azur. Neste momento 90% da capacidade no AFSC é dos 5 grandes grupos europeus, que são os mais sólidos, e da TAP. As outras valem 1% do total ou menos, e não me parece que tenhamos nenhuma que esteja tremida nesta altura.

    1. Nem até ao dia 10 aguentaram. Pelo menos já há uma página para os passageiros reclamarem a compensação e os reembolsos, embora a probabilidade de as receberem seja pequena.

  1. É vergonhoso o que se passou na companhia aérea!!!
    Na luta de galos, todos perderam o poleiro!

    Mas mais companhias vão ter o mesmo problema!

  2. A próposito, uma das companhias mais desejadas por aqui, a Norwegian, também parece estar compeltamente à rasca.

    Nos últimos anos, na Europa, estouraram a WOW, a Primera, a Germania, a Monarch e a Aigle Azur, que me recorde.

    Razão tinha o Michael O’Leary…

    1. Sim, tirando a Norwegian o que temos visto é as empresas pequenas a não conseguirem sobreviver. Provavelmente não serão as últimas.

  3. É de crer que a rota para Orly seja assumida por outra companhia (nomeadamente a Vueling) a tempo de evitar uma descida brusca nos passageiros no Porto?

    1. As restantes companhias vão acabar por absorver essa oferta. O impacto nestes primeiros meses será inevitável, embora pequeno nos números globais.

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